
Antes de completar 18 anos, uns dias antes, muitas pessoas diziam-me para não desistir, disseram que esta era a idade certa para agarrar as oportunidades e que eu devia só olhar para a frente. Na altura não dei muita atenção, na verdade ninguém dá, tinha 17 anos e só pensava em divertir-me, a vida era muito diferente daquilo que existia na minha cabeça. Lembro-me da expressão que fiz quando me disseram isso, pensei para os meus botões, que eram velhos e que como arrependeram-se do que fizeram, vinham agora dar-me lições de moral, achei aquilo estranho, até lhe dei uma certa piada! Fui ignorante, embora só tenha passado praticamente 1 mês que fiz 18 anos, deparei-me logo com uma lista de coisas para fazer, tinha que ir tirar o cartão para poder votar, vi-me a ser obrigada a responder a certas perguntas do género: Então, e agora já és uma mulherzinha, tens que arranjar um emprego para ajudares a tua mãe, como vai ser? Já pensaste em tirar a carta? É melhor comprares um carro usado, são mais baratos, sabes? Já sais a noite? A tua mãe dá-te liberdade para chegares tarde a casa? Já tomas bebidas alcoólicas? Fumas? Entre muitas outras, tive que responder, as vezes disse a verdade, noutras contei uma mentira. A verdade é que quando se é criança não se tem problemas, tem-se privilégios, sonha-se mais alto do que se realmente pode, vai-se até ao infinito buscar esperanças e expectativas que tudo irá correr bem, e mesmo não tendo noção disso, ainda é cedo para pensar nessas coisas, só se quer é brincar e divertir. Era bom, que o tempo parasse por ai, já não falo de ser criança, de ser adolescente, de ter a oportunidade de fazer amigos facilmente, de pode ir passear com quem se quiser, sorrir, chorar, viver aventuras e aproveitar um pouco de tudo ao máximo, num só dia poder partilhar segredos e cumprir promessas para toda a vida. Agora, é que reparo que estou a falar da mesma maneira que as outras pessoas falaram comigo,”dando lições de moral”, “pregando postas de pescada “como já tivesse vivido tudo.
Embora tudo passe demasiado rápido a que aproveitar o máximo que se puder, fazer de um dia uma eternidade. Pois, como alguém me disse: A vida é como areia fina entre os dedos.

